Discusión

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO: SOCIOLINGUÍSTICA, VARIAÇÃO E TEORIA

Luana Signorelli Faria da Costa
Universidade de Brasília

Resumo
Algumas sociedades fazem um esforço para identificar a mutabilidade da língua, fazendo um esforço especial para estabilizá-las na escrita que envolve gramáticas prescritivas, normalizações e códigos de ortografia. Estes mecanismos são vinculados a valores sociais e desencorajam desvios da gramática tradicional, como o uso de gírias e simplificação. A linguagem escrita e suas variações geralmente são mantidas por instituições educacionais como um modelo para a língua escrita. Entretanto, esses esforços têm um sucesso limitado. Este trabalho traz uma reflexão sobre a teoria sociolinguística no geral.
Palavras-chave: sociolinguística; variação; teoria.

1. Introdução
A maioria das sociedades contemporâneas são fundadas em sistemas linguísticos escritos, os quais prestigiam gramáticas prescritivas, normalizações e códigos de ortografia. Estes mecanismos são vinculados a valores sociais e desencorajam desvios da gramática tradicional, como o uso de gírias e simplificações. A linguagem escrita e suas variações geralmente são mantidas por instituições educacionais como um modelo para a língua escrita. Porém, enquanto pesquisador, é preciso perceber que a linguagem é universalmente mutável e muda de maneiras diferentes em diferentes lugares e épocas. O objetivo deste trabalho foi reconhecer a importância da mutabilidade da linguagem nas sociedades humanas contemporâneas, mais especificamente no português brasileiro.

Uma das particularidades da sociedade brasileira é a coexistência de culturas distintas ocupando o mesmo espaço. Existem restrições sociais sobre a escolha linguística, e o estudo de um determinado sistema gramatical e de normas culturais permite a aproximação do comportamento linguístico com o social. Sobre o bilinguismo, o fato da existência de duas línguas ocupando o mesmo espaço deve ser analisado sob diversos enfoques. Estudos linguísticos mostraram que o falante bilíngue não necessita dominar totalmente as quatro habilidades básicas: falar, entender, ler e escrever.

A pesquisa sobre a relação entre linguagem e sociedade começa a se solidificar ao longo de 1960, quando a sociolinguística interliga-se à antropologia e à sociologia. Duas questões antagônicas naturalmente se põem: (i) a linguagem determina a realidade social? A sociedade determina a linguagem – do ponto de vista do contexto e da estratificação social e estilo; (ii) a sociedade determina a linguagem? A linguagem determina a sociedade – na produção e representação da realidade social e na delimitação de uma comunidade de fala. William Labov foi quem inicialmente entendeu a língua como veículo de comunicação, de informação e de expressão da espécie humana, justificando que “as estruturas variáveis contidas na língua são determinadas por funções sociais” (LABOV, 2006:105). Assim, “fatores linguísticos e sociais estão fortemente inter-relacionados no desenvolvimento de uma mudança linguística” (LABOV, 2006:105).

A conexão entre linguagem e sociedade é assinalada principalmente pela importância da comunicação oral e a linguagem em uso em um determinado contexto. Mesmo que a língua falada é heterogênea e variável, esta alterabilidade da fala é passível de sistematização. A língua falada é, portanto, um sistema variável de regras, segundo uma normalização. Como grande estandarte dessa regularização surge a língua escrita ensinada nas escolas, em norma culta, onde o português é veiculado como língua. A implantação da norma-padrão traz como consequência imediata a unidade da língua. Como o indivíduo vive inserido numa comunidade, deverá haver semelhança entre a língua que ele fala e a que os outros membros da comunidade falam. Embora o indivíduo possa utilizar variantes, é no contato com outros falantes de sua comunidade que ele vai encontrar os limites para sua variação individual. No mundo atual, em que os falantes muito raramente são monolíngues, a variação linguística é de extrema importância, pois o falante tem capacidade de flutuar entre dois sistemas de acordo com o seu livre-arbítrio, como por exemplo, entre o português e o espanhol.

2. Sociolinguística: estudo e metodologia
A Sociolinguística estuda o uso da língua em situações reais, procurando relacionar a estrutura linguística e os aspectos sociais e culturais, pois considera que a língua não pode ser estudada de forma autônoma. Compreende-se a língua falada, observada, descrita e analisada em seu contexto social e em situações reais de uso. Seu ponto de partida é a comunidade lingüística, um conjunto de pessoas que interagem verbalmente.

A Sociolingüística também é importante quanto ao ensino das línguas porque tem ajudado a quebrar o preconceito em relação aos dialetos das classes desfavorecidas, afirmando que elas não são menos lógicas ou ricas que a variante padrão. Ainda no que se refere ao ensino de línguas estrangeiras, essas pesquisas contribuem para que o aluno aprenda o real uso da língua e não uma gramática ideal. A identidade da língua é heterogênea, inerente, funcional, e a pedagogia cruza linhas sociais e lingüísticas. Língua e variação são inseparáveis. A Sociolinguistica encara a diversidade linguística não como um problema, mas como uma qualidade constitutiva do fenômeno linguístico.

Primeiramente para conceituar, variação linguística é um fenômeno de aplicação prática. A proposta sociolinguística é organizar o “aparente caos de variantes” (TARALLO, 1997:24), primeiro postulando a existência de uma ordem e um sistema lógico nelas e depois buscando determinar os fatores que motivam a variação. Variação linguística “é o fenômeno de uma língua que sofrer variações ao longo do tempo, do espaço geográfico, do espaço ou estrutura social, da situação ou contexto de uso” (SAUSSURE, 2006:221). Isso significa dizer que uma língua está sujeita a reajustar-se no tempo e no espaço para satisfazer às necessidades de expressão e de comunicação, individual ou coletiva, de seus usuários e principalmente no nível da língua.

Para Tarallo, “Variantes Linguísticas são, portanto, diversas maneiras de se dizer a mesma coisa em um mesmo contexto, e com o mesmo valor de verdade” (TARALLO, 1997:24). Ainda para ele, uma variante é uma forma de variação para se dizer a mesma coisa de maneiras diferentes, desde que no mesmo contexto e com mesmo valor de verdade. Um conjunto de variantes é chamado de variável linguística. Ainda para Marcos Bagno (2009), o conceito de variação lingüística é nenhuma língua é falada do mesmo modo em todos os lugares, assim como nem todas as pessoas falam a própria língua de modo idêntico. Portanto, um carioca, um paulista, um pernambucano ou um gaúcho estão todos corretos na forma de falar mesmo seguindo seus respectivos sotaques.

O método, definido a partir das pesquisas do americano William Labov (1963), busca inicialmente registrar um grande número de dados da fala dentre aqueles da comunidade estudada que nasceram na comunidade ou vivem nela desde os cinco anos. Daí os lingüistas buscam uma sistematicidade na linguagem através do estudo das variações que permite a formulação de regras descritivas que expliquem os fatores associados à ocorrência de variantes. Labov faz um importante estudo sobre estratificação social do inglês entre minorias lingüísticas (imigrantes, porto-riquenhos, poloneses, italianos, etc) e para a questão do insucesso escolar de crianças oriundas de grupos sociais desfavorecidos (principalmente os negros do Harlem e imigrantes particularmente).

Labov tem no alcance de seu modelo sociolinguístico as concepções sincrônica e diacrônica. Labov em 1990 aponta dois princípios básicos resultantes de pesquisas, nas quais dá ênfase à variável sexo. Ele comenta que, em uma estratificação sociolingüística estável, os homens usam mais as formas ditas “cultas”, e na maioria dos fenômenos de mudança lingüística são as mulheres que inovam, usando as “não cultas”. Completa dizendo ser interesse maior de a Sociolingüística voltar-se para a influência do fator sexo sobre fenômenos de variação estável e de mudança lingüística, e que a análise da dimensão social da variação e da mudança não pode ignorar que o sexo do falante pode estar correlacionado a maior ou menor probabilidade de uma variante lingüística. Segundo ele, a conclusão comum a diversos trabalhos é a de que, “dada a alternância entre uma forma padrão ou mais prestigiada e uma forma não padrão ou menos prestigiada, as mulheres são mais propensas ao emprego da primeira e os homens da segunda” (LABOV, 1990:70).

O papel do sociolinguista é desmanchar um aparente caos na comunicação e demonstrar a sistematização que existe no uso das variantes de uma língua. Ele tem como método o uso do vernáculo no falante-ouvinte real, buscando situações concretas que evidenciem os fenômenos da linguagem.

Para Fernando Tarallo, sociolinguista brasileiro, o objeto (ponto de partida da sociolinguística) é o fato lingüístico, perpassando por uma análise do acervo de informações necessárias para a formulação de hipóteses. A língua falada é, em situações naturais, mecanismo de interação social face a face, é um vernáculo. O pesquisador deve selecionar uma comunidade lingüística ou uma célula social para coletar boas quantidades de comunicação linguística de boa qualidade sonora. Deve ter contato com falantes que variam segundo classe social, faixa etária, etnia e sexo. Deve ainda neutralizar o ambiente.

O método sociolinguístico mede a frequência da ocorrência de uso de variantes e faz previsões relativas às tendências delas, distinguindo se as variações são estáveis ou instáveis e, nesse caso, interpretar a mudança linguisticas. Através desse método indutivo e empírico, o sociolinguista analisa através da Estatística, optando assim pelo caminho da Sociolinguística Quantitativa.

3. A teoria variacionista
A abordagem variacionista baseia-se em pressupostos teóricos que permitem ver regularidade e sistematicidade por trás do aparente caos que é a comunicação cotidiana. Ainda procura demonstrar como uma variante se implementa na língua ou desaparece. A sistematização demonstra que em cada variante prevalecem certos contextos que a favorecem, chamados de fatores condicionadores.

Para Labov, a existência da variação linguística e de suas estruturas heterogêneas nas comunidades está investigada e provada, envolvendo também fatores extralinguísticos e dependente do comportamento social. A Sociolinguística trata da estrutura e da evolução da linguagem encaixando-a no contexto social da comunidade, e sua evolução diacrônica evidencia as mudanças sociais. Fazer análises quantitativas de dados lingüísticos é a palavra de ordem da Sociolingüística Variacionista, esses conjuntos de dados, ou corpus, devem ser obtidos pelo pesquisador por meio da gravação de conversas entre falantes de um determinado lugar, mas há vários problemas a serem tecnicamente minimizados durante sua obtenção ou evitados no momento de sua análise, tais como: (i) o fato que de os falantes não se comportam com naturalidade diante de um gravador, podendo não usar variantes que usariam normalmente; (ii) dependendo do caso de variação que se quer estudar, em muitas horas de gravação, são obtidas uns poucos dados e não se podem fazer estudos estatísticos quando se tem em mão pouca quantidade de dados.

Quanto à análise quantitativa, existem programas estatísticos especialmente elaborados para o tratamento de dados lingüísticos e saber usá-los é essencial num estudo variacionista quantitativo, pois ele fornece os pesos relativos com que cada fator lingüístico e extralingüístico está correlacionado ao uso de uma variante. Para usar esse pacote de programas, o pesquisador tem primeiro que isolar os dados em que está interessado. Após fazer uma análise qualitativa dos dados, observando como as variantes são usadas nos diferentes contextos lingüísticos que compõe as entrevistas, o pesquisador levanta hipóteses a respeito da correlação do uso das variantes que está estudando com fatores de natureza social e lingüística. Deve-se então proceder a uma codificação dos dados, antes de submetê-los ao tratamento estatístico.

Uma última questão merece ser abordada: os fatores sociais envolvidos na variação. Também não podemos desenvolver amplamente o modo como os usos lingüísticos estão correlacionados a características sociais, como o sexo do falante, sua idade, seu nível econômico e sua escolaridade, como o foco aqui foi demonstrar que diferenças entre comunidades são de natureza quantitativa, é necessário que tenhamos ao menos alguma ideia de como os fatores sociais, portanto extralingüísticos, operam na variação.

4. Variantes linguísticas brasileiras
O termo “variante” é utilizado para identificar uma forma que é usada ao lado de outra língua sem que se verifique mudança no seu significado básico. Os estudos da variação determinam três tipos de agentes externos que causam variação lingüística: o geográfico, associado à distância espacial entre diferentes grupos; o social, associado a diferenças entre grupos sócio-econômicos e o do registro que leva em conta o grau de formalidade do contexto e o meio usado para concretizar a comunicação. Embora esses agentes possam ser apresentados isoladamente, em um contexto real eles estão estreitamente unidos. Os três agentes geram variáveis no nível lexical, no gramatical, no fonético.

Uma outra abordagem seria ainda:

1) Variação regional: (os chamados dialetos) são as variações ocorridas de acordo com a cultura de uma determinada região. Começa dando o exemplo consonantal do uso do fonema [r] na linguagem em uso, sua forma retroflexa [ɾ], o chamado r-caipira [x] e uma fricativa velar [h]. Outros exemplos são o morfema “ito” para designar diminutivo. A alteração lexical entre “jerimum/abóbora/macaxeira/mandioca/aipim” fornece identificação da origem regional do falante. Também é o caso do dialeto caipira, o qual pertence àquelas pessoas que não tiveram a oportunidade de ter uma educação formal, e
em função disso, não conhecem a linguagem “culta”;
2) Variação social: é aquela pertencente a um grupo específico de pessoas. Neste caso, podemos destacar as gírias, as quais pertencem a grupos de surfistas, tatuadores;
3) Variação Histórica: aquela que sofre transformações ao longo do tempo. Como por exemplo, a palavra “você”, que antes era
vosmecê e que agora, diante da linguagem reduzida no meio eletrônico, é apenas VC. O mesmo acontece com as palavras escritas com PH, como era o caso de pharmácia, agora, farmácia.

5. Preconceito linguístico
Falando um pouco da migração rural-urbana no Brasil, onde os migrantes de origem rural procuram melhores condições de vida nas cidades, observou-se que numa dada comunidade, as variáveis linguísticas não funcionam todas como diagnósticos sociais da mesma forma. Foi feita uma análise que mostra a diferença de comportamento no processo de difusão de dialetos na fala dos migrantes, como em: “trabalha/trabaia”; “velho/véio” (ambos fenômenos de yeismo); “paciência/paciença” e com relação à concordância verbo-nominal na primeira e terceira pessoa do plural, como em “nós vamos/nós vai” ou “eles foram/eles foi”. Os migrantes que chegam à cidade já adultos alteram certas características de seu dialeto original. Porém, esse processo de ajuste linguístico é lento e as variáveis linguísticas do dialeto de origem do migrante seguem cursos evolutivos diferenciados.

Na dimensão propriamente social estão as diferenças lingüísticas verificadas com a comparação entre o dialeto padrão, considerado correto, superior, puro, ensinado na escola e valorizado por prestígio profissional e status, e o dialeto nãopadrão, julgado incorreto, inferior, corrompido. Verifica-se a partir daí a concepção de valoração estética e preconceitos que devem ser evitados pelo sociolinguista. A variante padrão, de prestígio ou ainda chamada de estigmatizada determina o poder político institucional detentor da autoridade de vincular a língua à variedade impregnante.

A coexistência de conjuntos de variedades linguísticas é impregnada pela sociopolítica comunitária e depende da ordenação valorativa hierarquizada. Daí surge as variedades de prestígio, também chamadas de variedades padrão. Essa norma culta se dá pela excelência da circulação formal e aborda uma minoria linguística comunitária. O jeito “correto”, “agradável”, “adequado” de falar e escrever é um hábito da elite historicamente ocidental. É estruturada pelas classes sociais altas, pela nobreza, burguesia, e núcleos urbanos geográficos de poder econômico e cultural predominantemente vigentes.

O português falado no Brasil é muito diversificado, e os fatores que contribuem para isso são: a idade dos brasileiros, a situação socioeconômica, o grau de escolarização, a origem geográfica etc. Isso mostra que toda a língua humana é heterogênea, isto é, apresenta variações em todos os níveis estruturais (fonologia, morfologia, sintaxe, léxico etc.) e em todos os níveis de uso social (variação regional, social, etária, estilística etc.). Portanto, o português brasileiro apresenta um alto grau de variabilidade e de diversidade devido à grande extensão territorial e às grandes diferenças de status socioeconômico, estas que explicam o abismo linguístico entre os falantes das variedades prestigiadas e os falantes das variedades sem prestígio social (zonas rurais ou das periferias, pobres ou analfabetos).

Os falantes nativos cometem erros, mas não erros de português, e sim erros de ortografia, esta que é artificial; ao contrário da fala, que é natural. O preconceito linguístico está estreitamente ligado ao preconceito social e os falantes letrados que desconhecem a linguística são os que mais praticam tais preconceitos, pois são os linguistas que estudam esse tema sobre as variações linguísticas. A variedade linguística de toda e qualquer pessoa deve ser respeitada, pois fazer isso é respeitar a integridade dessa pessoa como ser humano.

6. Conclusão
Observando como se realiza a análise do uso das variantes, poder-se-ia pensar que o trabalho do sociolingüista apresenta um amplo campo de participação e seria um tanto braçal, uma vez que ele teria a tarefa de estabelecer os limites de uma comunidade de fala, estudando a proporção com que diferentes variantes lingüísticas são usadas em diferentes comunidades e verificando que comunidades são, linguisticamente, mais próximas entre si e quais são mais distantes.

Saussure sugeriu que a Linguística deveria ocupar-se sobretudo da língua, uma vez que a fala não teria, de acordo com ele, qualquer caráter sistemático. Saussure deixou claro em sua obra que a língua e a fala são universos distintos, embora inter-relacionados. Levando isso em conta, os estudos variacionistas têm especial importância pois acabam sugerindo que a língua a fala estão mais do que interrelacionadas, uma vez que a relação entre elas parece ser de interdependência.

As variações individuais no momento da fala parecem estar limitadas por regras sistemáticas que caracterizam o português. Mas então temos outra questão. Será que não podemos pensar em inovações que ocorrem na fala e que, com o passar do tempo, acabam sendo incorporadas ao sistema? Por fim, abordou-se o que acredita ser resultado de uma ampla pesquisa sociológico, histórica e linguística. Sob panoramas interdisciplinares, fica clara a importância dessa ciência no ambiente contemporâneo.

 

Libro de actas. 2 Congreso Internacional de Profesores de Lenguas Oficiales del MERCOSUR (CIPLOM)

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