Discusión

O ensino do espanhol através do projeto língua espanhola na universidade: ensino, pesquisa e extensão

Lorena Gois de Lima Cavalcante
Universidade Federal de Campina Grande

Resumo
Neste artigo serão apresentadas as ações desenvolvidas no projeto “Língua Espanhola na
universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão” (realizado na Universidade Federal de Campina 
Grande – UFCG) com o objetivo de traçar um panorama do ensino da Língua Espanhola no presente projeto. O objetivo principal do projeto foi oferecer o ensino da Língua Espanhola como segunda língua à comunidade de Campina Grande e regiões vizinhas, no estado da Paraíba. As etapas constitutivas do projeto são: a investigação, a preparação das aulas e a prática em sala de aula. Logo, este artigo visa compartir nossas experiências, apresentando as atividades realizadas e os resultados obtidos, que entre eles podem-se destacar os avanços dos alunos no processo de aprendizagem da língua espanhola.
Palavras-chave: Língua Espanhola; ensino; pesquisa; extensão.

1. Diálogos e apresentação
Vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) no estado da Paraíba, o projeto “Língua Espanhola na universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão” foi pensado para atender à comunidade externa e interna da UFCG com vistas a oferecer um curso de Língua Estrangeira (no caso específico, a Língua Espanhola) com monitores-professores capacitados para atuar no processo de ensino/aprendizagem. O projeto foi desenvolvido nos cursos de extensão da Unidade Acadêmica de Letras (UAL), que funcionam desde 2009 atendendo aos estudantes, funcionários da UFCG e à comunidade (principalmente, aos bairros próximos à universidade e aos municípios vizinhos).

Desde sua implantação, o curso de extensão em Língua Espanhola contou com um grande número de estudantes, considerando a grande procura por este idioma. Tal fator deve-se à gratuidade e à reconhecida qualidade do curso que conta com uma equipe especializada. Para se ter uma base do público e da procura por este idioma, no primeiro semestre de 2009, aproximadamente 120 pessoas procuraram matricular-se no curso de Língua Espanhola I; no primeiro semestre de 2010, esse número aumentou significativamente, chegando a um total de 180 pessoas. Já no primeiro semestre de 2011, se inscreveram 443 pessoas, das quais foram selecionadas apenas 90.

A procura pela Língua Espanhola deve-se a importância do domínio deste idioma no cenário mundial – o espanhol está entre as línguas estrangeiras mais aprendidas no mundo – principalmente no caso brasileiro, em que o acordo comercial (MERCOSUL) e as fronteiras com os países hispânicos põem, cada vez mais, em evidência a Língua Espanhola. De acordo com João Sedycias (2005): “No caso específico do Brasil, com o advento do Mercosul, aprender espanhol deixou de ser um luxo intelectual para se tornar praticamente uma emergência” (SEDYCIAS, 2005:35). Logo esta necessidade impulsiona a busca por esse idioma, que passou a ser visto como uma ferramenta importante para os profissionais que querem garantir seu espaço num mercado de trabalho cada vez mais exigente, ou para pessoas que simplesmente querem ampliar seu conhecimento de mundo, entrando em contato com novas culturas.

Esta é “a hora e a vez do espanhol” como afirma Fernanda Rodrigues (2008), em seu artigo intitulado “A hora e a vez do espanhol”, que trata da necessidade dos brasileiros em comunicar-se em espanhol nos últimos anos, quando a globalização rompe as barreiras políticas e econômicas com nossos vizinhos e o governo brasileiro decide tornar obrigatório o ensino da língua espanhola nas escolas públicas e privadas do ensino médio do país. Tendo em vista a lei de obrigatoriedade do ensino do espanhol, muitas reflexões têm sido feitas a respeito do lugar que essa língua deve e pode ocupar no processo educativo brasileiro e de que forma ela pode ser trabalhada com o máximo de qualidade. Tanto o espanhol como as demais línguas estrangeiras modernas assumem uma função importante no processo educacional brasileiro – a conhecida função de veículos fundamentais na comunicação entre os homens. Como qualquer linguagem, elas funcionam como meios para se ter acesso ao conhecimento. Desta maneira, o projeto “Língua Espanhola na universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão” (doravante LEU) buscou capacitar os alunos em todas as habilidades do idioma (oral, escrita, auditiva e leitora), proporcionando-os uma maior compreensão das estruturas linguisticas e auxiliando-os na produção de enunciados corretos no novo idioma.

O conhecimento dos elementos culturais dos países de Língua Espanhola foi um diferencial nas aulas e não poderia ficar de fora, já que estudar uma língua estrangeira é, antes de tudo, conhecer um conjunto de valores e relações interculturais. A diversidade cultural e linguística esteve presente em diversos momentos nas classes, seja através de textos, canções, vídeos, etc., de modo a promover uma apreciação dos costumes e valores de outras culturas.

Estudiar una lengua es como hacer un viaje que tiene dos direcciones: una exterior; que dice respecto al gesto aproximativo hacia el “otro”, su cultura y su identidad, y una interior, que, frente al efecto del encuentro con ese “otro” se compara, se observa, se
reconoce como diferente (KULIKOWSKI, 2005:49).

Em outras palavras, o processo de aprendizagem de uma língua estrangeira leva a alteridade, em que o sujeito passa a se (re)conhecer partindo do outro, além claro de ampliar as possibilidades discursivas do aluno e contribuir também para os conhecimentos culturais referentes à língua estudada. Partindo de nossa visão de mundo, de nossa cultura, podemos conhecer outras culturas.

2. Abordagens do projeto LEU, suas ações, desenvolvimento e prática no ensino da Língua Espanhola
Com os eixos temáticos ensino, pesquisa e extensão, o projeto LEU buscou primeiramente a formação de colaboradores que fossem capacitados para assumirem uma turma cada (de carga horária 60 hora/aula por turma). Para isso, foram selecionados três alunos (um bolsista e dois voluntários) do curso de Letras da UFCG, devidamente aprovados em uma seleção composta de análise do histórico acadêmico, comprovação de cursos realizados na área e de entrevista. Contando com esses alunos (que os chamo de monitores-professores), foi possível a formação de três turmas de Espanhol Básico, com 30 alunos cada, possibilitando-os (bolsista e voluntários) uma oportunidade de atuar na área de Ensino como professores de Espanhol.

O projeto foi coordenado por mim, Professora Assistente da Unidade Acadêmica de Letras da Universidade Federal de Campina Grande em colaboração com os monitores-professores que contaram com minha orientação. Abaixo, dividido em tópicos encontra-se o detalhamento do projeto, bem como os procedimentos metodológicos e objetivos:

Inicialmente foi realizada uma fase bibliográfica, em que os monitores juntamente com a coordenadora se dedicaram à pesquisa de conteúdos relevantes para as aulas; temas como interferência, aquisição de uma segunda língua e metodologias de ensino para uma língua estrangeira também estiveram no centro das análises. O objetivo desta etapa foi capacitar os monitores no que se refere à pesquisa e elaboração do trabalho escrito final.
A segunda etapa se baseou no planejamento das aulas, para isso os monitores foram expostos ao método adotado, o livro do aluno Gente 1 Nueva Edición, de Peris e Baulenas (2010), que privilegia o uso da língua em situações concretas de interação. As aulas foram planejadas com base no livro e, partindo deste, outros materiais foram criados como dinâmicas, listas de atividades, canções, etc. de modo que contemplassem as unidades e conteúdos do livro, facilitando assim o aprendizado dos alunos. Para a preparação das atividades e provas, também foram consultados outros livros didáticos como Espanhol Expansión, de Hermanos & Jacira (2004) Nuevo Ven, de Castro, Marín, Morales e Rosa (2006), e Español en Marcha, nivel básico, de Castro, Díaz, Sardineiro e Rodero (2005).
Com o início das aulas, teve início também a terceira etapa do projeto que contou com a observação das aulas pelos monitores. Nessa etapa comecei assumindo as turmas, destinadas a cada monitor, com a finalidade de demonstrá-los como é feita a prática em sala de aula e, principalmente, para que eles pudessem absorver um pouco dessa vivência.
A quarta etapa refere-se à prática em sala de aula: o bolsista e os voluntários puderam pôr em prática todo o conhecimento adquirido durante as reuniões, os planejamentos das aulas e as observações feitas.
A quinta e última fase foi dedicada ao trabalho final – o relatório. Nesta etapa eles puderam avaliar seu trabalho no projeto, descrevendo todas as etapas realizadas, as contribuições de cada uma delas para a execução das atividades e o efeito do projeto para a aprendizagem dos alunos.

Baseado em tais considerações, o monitor-professor, com base no planejamento das aulas feitas juntamente com sua orientadora, preparou suas aulas dando aos alunos os suportes necessários para se comunicarem, compreenderem diversos enunciados e serem capazes de escrever um texto na Língua Meta. O professor-monitor também buscou participar de eventos e congressos que pudessem enriquecer e contribuir qualitativamente para atualização e aperfeiçoamento de seu trabalho, com vista para um ensino mais humano, ou seja, mais formador, como o proposto pelas Orientações Curriculares Nacionais (1999) para língua espanhola.

A finalidade do projeto LEU foi a de nortear o ensino do espanhol como língua estrangeira, expondo aos alunos à diversidade e à heterogeneidade presentes nesse idioma. Para este fim, o principal objetivo do projeto foi proporcionar o conhecimento linguístico e cultural dos países de Língua Espanhola, capacitando os alunos em todas as habilidades linguísticas dessa língua – compreensão leitora, compreensão auditiva, produção escrita, produção oral. Deste modo, buscamos apresentar aos alunos diversas situações de uso da língua, onde eles desenvolveriam essas habilidades e internalizariam as estruturas linguísticas da língua espanhola, o que por vezes ocorreu sem dificuldades devido à proximidade entre o espanhol e o português.

Como dito anteriormente, foi utilizado o livro Gente Nueva Edición, de Peris e Baulenas (2010) como método para a execução das aulas, que possui um total de 165 páginas das quais 119 são dedicadas às 11 unidades do livro. Além disso, há uma seção no final do livro denominada “Consultorio Gramatical”, que serve de apoio tanto para o professor quanto para o aluno, visto que apresenta os conteúdos abordados no livro de forma mais detalhada e exemplificada, apontando, por meio de pequenos comentários, as principais diferenças existentes entre a língua espanhola e a língua portuguesa.

Como apoio didático, foi usado o livro da mesma série denominado “Libro del profesor”, que sugere métodos de trabalho a serem utilizados na execução das aulas propostas no livro didático. Este material serviu como suporte para planejamento das aulas, através dele foi possível encontrar os melhores métodos a serem aplicados em cada turma, pois cada uma delas tinha um perfil próprio e, por mais que utilizássemos o mesmo material, tínhamos que adaptar algumas propostas à realidade de nossos alunos.

No decorrer do curso houve significativa evolução dos aprendizes de espanhol. Os alunos, que em sua maioria não tinham nenhum contanto com a língua espanhola, conseguiram dominar as quatro habilidades exigidas no aprendizado de uma língua estrangeira, dentro do nível pretendido. O interesse dos alunos era visível, e o comprometimento deles tornou as aulas sem dúvida muito mais interessantes e enriquecedoras. Deste modo, os alunos do projeto LEU estão aptos, partindo dos estudos aprendidos em sala, a lidar em algumas situações que por ventura venham a ser reais.

Durante o curso oferecido pelo projeto os alunos tiveram contato com o alfabeto da língua espanhola, aprendendo a compreender e identificar seus sons (/ β /, entre outros) e sua grafia (calle, niño, etc.). Neste conteúdo os alunos aparentaram dificuldades com relação à pronúncia, principalmente quando se tratava de fonemas que não estão presentes na língua portuguesa (como o “c” pronunciado pelos ceceantes que possui uma pronúncia alveolar, semelhante ao “th” da língua inglesa) ou daqueles que não apresentavam concordância com a escrita (o “v” do espanhol que possui o mesmo som do “b”, causando desconforto ao aprendiz que por vezes erra a escrita de algumas palavras – “livro” em espanhol “libro” – por não conseguir assimilar se as escreverá com “b” ou “v”). Tal dificuldade levou-nos a investir bastante em exercícios que consistiam em estimular a pronúncia correta de alguns fonemas e a apresentar aos alunos as diversas variações linguísticas existentes na língua espanhola.

O estudo dos vocabulários e das estruturas linguísticas do idioma permitiram aos alunos a utilizar a língua, fazendo uso dos diversos conteúdos relacionados a como expressar gostos, interesses ou preferências (me gusta…, quiero…prefiero… etc.), como contrastar gostos e interesses (a mí también, a mí tampocoa mí no… etc.), como localizar lugares e/ou a existência de serviços (hay, está, están), expressar frequência (mucho, poco, a veces, etc.), dar recomendações ou aconselhar (tienes que…, hay que…, es necesario… etc.), conjugar os verbos no presente do indicativo, com ênfase nos verbos irregulares (yo hago, yo duermo, yo voy, etc.), expressar quantidades utilizando “muy, mucho” e “demasiado”, dar e pedir informações sobre si e outras pessoas (Me llamo…, soy…, mi dirección es… etc.), expressar opinião (creo que…, pienso que…) e explicar-se ou justificar-se (porque necesito…, porque me gusta… etc.).

Ao longo do curso, foram realizados dois testes orais e dois escritos para que pudéssemos avaliar o desenvolvimento das quatro habilidades (compreensão leitora e escrita, e expressão escrita e oral) em nossos alunos. Nos testes orais, os alunos faziam uso do vocabulário e das estruturas lingüísticas aprendidas para falar acerca dos temas que lhes eram apresentados como notícias de jornal, charges, imagens, etc. Para a elaboração dos testes escritos obedecemos à seguinte estrutura:

Comprensión lectora: onde os alunos, por meio de um texto, praticaram a leitura em língua espanhola.
Gramática: questões que trabalhavam as estruturas linguísticas estudadas em sala.
Comprensión auditiva: através de um diálogo ou de uma conversação, os alunos, além de identificar os sons da língua espanhola, tinham a oportunidade de conhecer as mais variadas pronúncias dos países falantes de espanhol, de modo que tiveram contato com parte das variações da língua espanhola.
Vocabulário: os alunos respondiam a questões que trabalhavam o léxico de acordo com as unidades estudadas no livro Gente 1.
Composición: nesta última parte, o aluno tinha a oportunidade de treinar a escrita em língua espanhola a partir dos temas estudados em aula e das orientações fornecidas pelos monitores-professores.

A avaliação das atividades desenvolvidas pelos monitores-professores constou de um processo formativo, que teve por finalidade identificar os pontos positivos do trabalho desenvolvido e também os procedimentos que não tiveram o êxito esperado na execução das atividades. Nesse caso, identificado as falhas, foi feita uma reavaliação para que os objetivos fossem plenamente alcançados. As orientações foram fundamentais no trabalho dos professores-monitores que tiveram a oportunidade de discutir o planejamento da aula e de avaliá-las, destacando os resultados obtidos e a adequação dos objetivos propostos pelo curso e sua satisfatória execução junto ao público-alvo.

3. Considerações finais
Em um universo de mútua aprendizagem, bolsista, voluntários e alunos foram beneficiados com o projeto que proporcionou o ensino da Língua Espanhola às comunidades acadêmica e extra-acadêmica. Com as aulas e os conhecimentos adquiridos, os alunos puderam construir elementos necessários para o enriquecimento do aprendizado da língua e das culturas hispânicas. Para este fim o projeto LEU foi fundamental, oferecendo aos alunos as bases fundamentais para uma aprendizagem efetiva na língua espanhola.

Segundo Fernández (2005), no caso dos brasileiros, aprender o espanhol é fundamental para as trocas e as relações entre nossos vizinhos:

El dominio de un idioma común tiene un valor fundamental, tanto para facilitar el entendimiento en las relaciones comerciales o culturales, como para la formación de una verdadera comunidad “latinoamericana” (FERNÁNDEZ, 2005:20).

Esta é uma realidade que já vem sendo contemplada por projetos como o nosso, universidades, cursos públicos e privados que têm priorizado e aumentado cada vez a oferta deste idioma.

Quanto às contribuições aos monitores-professores, pode-se afirmar que as observações, as práticas e as discussões/reflexões sobre as aulas foram fundamentais para a formação acadêmica do bolsista e dos voluntários, que a partir do projeto tiveram o primeiro contato com a prática em sala de aula, possibilitando uma experiência enriquecedora com o ensino da língua espanhola.

Os momentos de discussões e reflexões foram bastante válidos para a formação docente dos monitores-professores, pois as orientações durante as pesquisas e preparação das aulas despertaram neles a importância de possuir um caráter pesquisador unido à prática de sala de aula. As teorias estudadas foram aplicadas na prática, aumentando consideravelmente os níveis de aprendizado de seus alunos.

Fatores como maturidade e experiência foram uma das grandes aquisições durante o processo de ensino/aprendizagem por parte dos monitores. Estes fatores foram formados durante as trocas diárias de conhecimento social e científico, comigo e com os alunos do projeto.

No que se refere à aprendizagem dos alunos, esta ultrapassou nossas expectativas, pois percebemos uma significativa melhora no aprendizado da língua espanhola. Observamos isso nas avaliações, sejam elas por meio de provas ou participações dos alunos em sala de aula.

Unindo graduação a extensão, comunidade a universidade e ensino a pesquisa, pode-se afirmar que o projeto LEU, em parceria com a extensão da UFCG, se constituiu com base no compromisso social e acadêmico, que teve como seu principal pilar o ensino da Língua Espanhola.

 

Libro de actas. 2 Congreso Internacional de Profesores de Lenguas Oficiales del MERCOSUR (CIPLOM)

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