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ARGUMENTAÇÃO E MATERIALISMO: TENSÕES, ANÁLISES, POSSIBILIDADES DE ARTICULAÇÃO

Luís Fernando BULHÕES FIGUEIRA (UFES)
Mara Ruth GLOZMAN (UBA – ARGENTINA)

RESUMO: Este simpósio objetiva reunir pesquisas que problematizem, de diferentes formas, a relação entre argumentação e análise materialista do discurso. Trata-se de uma relação complexa, que envolve concepções tensas em torno do sujeito, do processo de constituição dos sentidos, das condições de produção dos discursos, e especialmente linhas de reflexão epistêmica inscritas em filiações diferenciadas. Nesse sentido, o domínio de cartesianismo nos estudos clássicos da argumentação (visão racionalista do sujeito e de sua relação com o dizer) apresenta, à primeira vista, um conflito político epistêmico com o dispositivo teórico da análise materialista do discurso. A proposta do simpósio é, precisamente, refletir sobre essas tensões e pensar possibilidades de trabalhar as dimensões argumentativas do discurso desde perspectivas materialistas, convocando análises dedicadas a diferentes tipos de corpora e arquivos discursivos. Nesse sentido, um ponto de vista materialista sobre a argumentação e sua relação com os processos discursivos norteia esta proposta, na medida em que se visa questionar concepções empiristas acerca da própria noção de argumentação, uma vez que nesta perspectiva: compreendemos as ideologias como constitutivas do processo de produção de sentidos; concebemos os sentidos, por sua vez, como efeitos; entendemos a língua (mas também outras linguagens) como materialidade simbólica marcada pelo equívoco; e consideramos as identidades dos sujeitos discursivos como posições, erigidas sob a forma de representações imaginárias. Considerando, pois, tais posicionamentos teóricos, esperamos reunir investigações que, em alguma medida, tentem responder às seguintes questões: uma vez que o sujeito discursivo é um sujeito clivado, isto é, afetado pelo inconsciente e pelas ideologias, fadado, portanto, ao não-controle dos sentidos, é possível pensar o processo argumentativo de forma alternativa a ideia de “estratégia de um sujeito que realiza opções orientadas a fins”? Como pensar o processo argumentativo enquanto tentativa de convencimento/persuasão do outro? Em que medida seria possível formular uma noção de argumentação articulada com a problemática (central para a análise materialista) do Interdiscurso? Seria possível articular – nos dispositivos teóricos e nos dispositivos analíticos – a noção de “adequação” do discurso argumentativo com as noções de formações ideológicas e formações discursivas? Como conceber a noção de ethos efetivo a partir da constatação de que o ethos construído pelo enunciador depende fundamentalmente da interpretação dos coenunciadores, e, portanto, de suas filiações sócio-históricas de identificação? Essas questões e outras desejamos abordar e discutir com os trabalhos que convidamos a serem apresentados neste simpósio.

PALAVRAS-CHAVE: Análise do discurso; Materialismo; Argumentação; Ideologia.

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