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Professora é intimidada por vereador ao passar texto sobre mês do orgulho LGBTQI+; áudio

g1.globo.com

Secretaria de Estado da Educação (Sedu) do ES disse que vai denunciar o político ao Ministério Público.

Uma professora de inglês da rede estadual de ensino do Espírito Santo foi intimidada por um vereador de Vitória depois de passar uma atividade para os estudantes do ensino médio com um texto explicando porque junho foi escolhido para celebrar o orgulho LGBTQI+.

O texto em inglês usado como exercício para os estudantes o 1º ano da Escola Estadual de Ensino Médio Renato Pacheco foi retirado do site da livraria do Congresso americano. Nele, o autor conta sobre a revolta de Stonewall, em Nova York, nos Estados Unidos, em 28 de junho de 1964. O evento foi considerado o marco do ativismo pelos direitos LGBTQI+.

A mãe de uma estudante não gostou do exercício, aplicado no início de junho para ser entregue na última sexta-feira (18), e disse no grupo de pais de alunos em um aplicativo de mensagens que denunciaria a professora. Para isso, ela buscou o apoio do vereador de Gilvan da Federal (Patriota).

Em um áudio respondendo a mãe da estudante, o vereador pede que os estudantes se recusem a fazer a atividade e intimida a professora.

“Amanhã [segunda-feira] eu vou conversar numa boa com a diretora e dizer que se isso não resolver eu vou representar a professora no Ministério Público. Na segunda-feira eu vou voltar e olhar olho no olho dessa professora. Eu vou aguardar ela sair e nós vamos bater boca. Nós vamos discutir e eu vou filmar tudo. Eu quero deixar ela acuada pra ela saber que a partir de agora vai ter alguém para fiscalizar”, disse o vereador no áudio.

O vereador foi até a escola junto com a mãe na última sexta para conversar com a coordenadora. Ele justificou a atitude dizendo que a ação da professora seria imoral e contra a lei.

“Eu não tenho nada contra professor, o que eu discordo é dessa militância que existe em algumas escolas do nosso país. Ela tá colocando a ideologia político partidária dentro da escola e isso não é permitido, isso é imoral. O Código Civil, no seu artigo 1.513, é bem claro, é dever dos pais cuidar da sua família de acordo com com suas convicções morais e religiosas”, disse o vereador à reportagem.

A professora Rafaella Machado contou que passa a mesma atividade desde que começou a dar aula para a rede estadual de ensino do Espírito Santo, em 2016.

Ela explicou que também aborda temas como racismo e direito da mulher em atividades em meses como novembro e março, que são datas de conscientização sobre o tema.

Segundo relato da professora, o vereador adotou uma postura ameaçadora quando esteve na escola e ela pediu que ele conversasse com a pedagoga da escola.

“Ele veio atrás de mim fora do espaço delimitado para a recepção dos pais e adotou um tom ameaçador e disse que faria algo por causa da atividade”, relatou.

O áudio, de acordo com ela, foi gravado pelo vereador depois que ele esteve no colégio. Por causa disso, a professora registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e informou que vai denunciar o caso ao Ministério Público.

A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) informou que acompanha o caso e que tomará as medidas cabíveis junto ao Ministério Público.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Espírito Santo (Sindiupes), Gean Carlos Nunes Jesus, esteve na escola e disse que a professora agiu dentro do que prevê a lei. O sindicato também vai dar assistência jurídica para a profissional.

“O magistério capixaba trabalha dentro da legislação e 70% do quadro tem mestrado e doutorado. Então, os professores têm know how para trabalhar a produção de conhecimento com isenção e competência”, afirmou Gean.

Protesto

No final da tarde desta segunda (21), manifestantes se reuniram na frente da escola para apoiar a professora e protestar contra as intimidações do vereador.

Gilvan disse, no áudio divulgado em um grupo de pais, que iria até a escola “bater boca” e “acuar” a professora por causa da atividade passada para os estudantes.

Com cartazes e bandeiras do movimento LGBTQI+, os manifestantes pediram respeito a liberdade dos professores e tolerância.

Por Luiza Marcondes e Diony Silva, G1 ES

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